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Quem Somos - Histórico

Histórico

O antecedente próximo de uma articulação popular na Bacia do São Francisco (BSF) é a “Associação Prá Barca Andar”, nos anos de 1980, promovida por militantes sociais e ambientais, educadores e artistas, como resultado de uma viagem de barco, de Pirapora a Xique-Xique, que fizeram com o intuito de mobilizar a população ribeirinha em defesa do rio e sua cultura. Dura uns poucos anos, mas deixa marca e lacuna. De antes, não há notícias.

Em 1993/94 acontece a Peregrinação da nascente à foz, por um ano, realizada por Frei Luiz Cappio, Ir. Conceição, Adriano e Orlando – uma intensa mobilização religioso-ecológica, que reanima e religa as forças vivas e resistentes da ribeira sanfranciscana.

Nos primeiros dos anos 2000, os relatórios de atividades das CPTs que atuam na BSF – uma equipe no Norte de MG e quatro na BA – evidenciam uma crescente preocupação com o Rio, os grandes projetos e seus impactos sociais e ambientais. Diante disto, a Misereor, agência católica alemã de cooperação, financiadora da maior parte da atuação destas CPTs, sugere a proposição de um projeto de articulação destes e de outros esforços focados na preservação do Rio, no combate às causas de sua degradação.

Em 2004 as CPTs da Bahia, a partir de Juazeiro, onde existe também o CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores), tratam de construir este projeto, ainda sem muita clareza de como deveria ser. Por isso, em 2005, as primeiras ações do Projeto São Francisco CPT/CPP (PSF) são os mutirões nas quatro regiões da BSF, para diagnóstico vivencial da realidade e, ao mesmo tempo, inédito intercâmbio e mútuo conhecimento entre os grupos populares, como base da articulação em defesa do rio e de seu povo. Os quatro mutirões são concluídos com encontros regionais entre os participantes e outras pessoas e entidades visitadas ou convidadas. Estes encontros consolidam a visão dos problemas, das organizações e suas iniciativas e experiências de revitalização das/por regiões.

Um encontro geral de representantes destes processos regionais é o ponto de chegada que possibilita a visão dos desafios e potencialidades do povo da BSF e de como uma articulação deveria animar a luta conjunta dali para a frente. É o I Encontro. Acontecido em Bom Jesus da Lapa, em outubro de 2005, o encontro estabelece as bases, as linhas (terra, água, produção, educação e grandes projetos) e o modo de atuação da Articulação Popular do São Francisco (APSF).

Com o Governo Lula precipitando o início do projeto de transposição, o enfrentamento deste acaba polarizando e identificando a APSF. Ao final de 2005, acontece o primeiro jejum (11 dias) de D. Luiz Cappio contra o projeto e a APSF, ao dar-lhe apoio local e repercussão mais ampla, passa a se pautar prioritariamente pela luta contra a transposição. O ano de 2006 é de expectativa, pressão e arremedo de resposta do governo ao que fora acordado com D. Luiz, o que reduz-se a um único (Brasília, julho de 2006) de três amplos seminários previstos para debater transparentemente o projeto de transposição, sua (des)necessidade e implicações. Melhor é o anterior encontro (Brasília, dezembro de 2005) de estudiosos, técnicos e lideranças sociais convocados por D. Luiz para preparar os diálogos com o governo e que produz importantes subsídios para toda esta luta desde então.

Durante 2006, a APSF busca se consolidar, animada e mais realista, com os pés no chão, enfrentando as dificuldades concretas ao nível de cada região e de toda a diversificada e complexa BSF. Importante é a Conferência dos Povos do São Francisco, na Ilha de Assunção, do Povo Truká, em Cabrobó, voltada para a construção do Projeto Popular para a BSF, nos marcos dos debates da Consulta Popular.

Em 2007 acirra-se a luta contra a transposição, diante da determinação do reeleito Governo Lula em tocar em frente o projeto pelas mãos do Exército, e total desprezo pelos encaminhamentos acordados. Em fevereiro, 750 representantes do povo da BSF acampam em Brasília por uma semana, ganham a mídia, pautam os três poderes, mas não são nem recebidos pelo executivo federal, à exceção da Min. do Meio Ambiente, Marina Silva, que outra coisa não faz senão tentar justificar a licença ambiental para as obras. Em junho/julho, cerca de 1500 representantes populares da BSF acampam no canteiro de obras em Cabrobó, de onde são despejados depois de uma semana por forte aparato policial e militar. Diante da inviabilidade de repetir a ação no canteiro de obras de Petrolândia, opta-se por dois mutirões nas áreas dos canais nos dois eixos da transposição (PE, PB, CE e RN), o que se revela excelente medida enquanto descortina o povo impactado e descontente com as obras, como potencial de resistência e manutenção da luta contra o projeto. Antes, em agosto, acontece a Caravana em Defesa do São Francisco, em que lideranças e estudiosos percorrem as principais cidades do país pautando o tema polarizado com a transposição. Em dezembro, melhor preparado e assumido coletivamente, acontece o segundo jejum (24 dias) de D. Luiz, em Sobradinho, a APSF encarregada de toda a organização em torno e a repercussão para fora. O governo não cede, mas é obrigado a investir mais em publicidade e ações de revitalização na BSF, com foco no esgotamento sanitário de cidades ribeirinhas e não ribeirinhas.

Em 2008 e 2009 a APSF vive o refluxo em relação a 2007, numa conjuntura de refluxo também dos movimentos sociais em geral, com o Governo Lula operando abertamente para cooptá-los e discipliná-los ao jogo das forças hegemônicas do capital nacional/global. Com dificuldade, tenta retomar o vigor da luta contra a transposição e se debate em assumir pra valer a luta concreta da revitalização polarizada com o  parcial, insuficiente e publicitário programa oficial do governo federal, permeado pelas injunções político-partidário-eleitorais.