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PT poderia ir além e comprometer seus parlamentares com Limite da Propriedade de Terra

É louvável a Nota Pública emitida por quatro secretariais nacionais do PT “saudando e conclamando” os seus militantes a intensificarem a participação no Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. Afinal, um partido com a história do PT não pode se isentar das principais questões de interesse nacional.

Ainda assim, cabem algumas questões relativas ao documento e ao posicionamento do Partido dos Trabalhadores sobre o referido Plebiscito:

DA PSEUDO GESTÃO DE CONFLITOS À DESARTICULAÇÃO DO SISTEMA

Final de tarde de Outubro de 2005, em uma emissora de rádio baiana o então articulador do governo Lula entrevistado por um irmão de fé declara: “...pois é Mario em pleno Sabá eu que sou judeu fui lá a pedidos do presidente Lula para tirar um padre da greve de fome, volto pra casa com mais uma missão cumprida.” Era este o primeiro contato de Wagner com os comitês de bacia. Encerrava neste instante os 11 dias da primeira greve de fome do Bispo de Barra Frei Luiz - maior representante da luta contra a transposição e dos direitos de participação e de decisão atribuídos pela lei das águas aos comitês de bacia e demais conselhos gestores.

A herança de Lula para o Nordeste

O Governo Lula é prodígio em popularidade, alcançando índices de aceitação de 80%, principalmente na Região Nordeste. Aproximando-se, dessa forma, do recorde de José Sarney na época do plano Cruzado, que segundo a pesquisa do Ibope, divulgada na edição de “O Globo” de três de julho de 1986, chegou à unanimidade de 97,5% de aprovação. No caso atual, fruto do inegável carisma pessoal do Presidente e, principalmente, das políticas públicas assistencialistas, tipo bolsa família, criadas no governo anterior de Fernando Henrique Cardoso e difundidas largamente em todo interior pobre e populoso da região nordeste.

O Semiárido mudou

Já não ouvimos mais falar em saques, frentes de emergência, intensas migrações, gado morrendo e outras tragédias nordestinas. O que mudou: o clima ou a realidade?

O clima não mudou e, se mudou, está mudando para pior. O semiárido está ficando mais quente, portanto, com mais evaporação de águas. As chuvas estão cada vez mais concentradas, caindo de forma diluviana, como os 400 milímetros em Alagoas e Pernambuco. O processo de desertificação está aumentando, embora seja controlável com políticas adequadas.

Emergência vira rotina

A sucessão de tragédias, que antes chamávamos de emergenciais, agora vai se tornando cotidiana.

Meu irmão de música e caminhada, Magalhães, é coordenador do “Setor de Emergências” da Cáritas Brasileira.  Temos um acordo comum quando nos encontramos para reuniões das pastorais sociais: pela noite só falamos de música, ou tocamos violão, ou vamos ver alguma apresentação de boa música. Foi assim que vi no Clube do Chorinho, Brasília, uma apresentação de Paulo Moura, um dos maiores saxofonistas do mundo, falecido esses dias atrás.