Poeta: Túlio dos Anjos (Pão de Açúcar - AL)
Estou por demais envergonhado
Por tudo que tem me acontecido
Muitas lágrimas tenho chorado
Grande dilema tenho vivido
Tenho sido vítima da maldade
Dessa ingrata humanidade
Encontro-me entristecido
Temo muito por meu destino
Eu não posso acabar assim
Que me ajude o pai divino
Que façam algo por mim
Se não nasci por acaso
Se esse não é meu prazo
Por que querem meu fim?
Desde a serra lá em Minas
E por todo lugar que passo
O cenário me desanima
Já não sei mais o que faço
Estou precisando de ajuda
Mas a cabeça do povo não muda
Para evitar o meu fracasso
Onde estão os poetas que inspirei?
Onde estão meus usuários?
Onde estão os amantes que testemunhei?
E os que ficaram milionários?
Os que de minha água já beberam
Será que ainda não perceberam esse meu triste calvário
A omissão é covardia
Ingratidão tira a afeição
Vão se arrepender um dia se permitirem a Transposição
Vai faltar água e alimento
Vai sobrar muito sofrimento
Fome, miséria e poluição
E as hidrelétricas, machucam tanto
Encontro-me assoreado
Não estão vendo o meu prato
Estou quase acabado
Tanto lixo, tanto esgoto
Encontro-me desesperado
Despertem, prestem atenção
O que estão fazendo comigo
Não é só comigo não
Porque nessa estamos juntos
Seremos muitos defuntos
Só Deus terá compaixão
