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Impactos - Erosão

Erosão

A erosão é o fenômeno em comum de três fortes impactos sofridos ao longo da Bacia do São Francisco: desmatamento, assoreamento e desertificação.

Histórico
A partir da década de 1970, e com o desenvolvimento de tecnologias de manejo e correção de solo, a região dos Cerrados constituiu uma nova fronteira agrícola e estimulou uma forte migração interna de famílias de agricultores do Sul para o Centro-Oeste, estimulada pela grande oferta de terras e créditos subsidiados e abundantes, levando a transformação dessa paisagem natural em grandes áreas de plantio. Nesta região, instalou-se uma agricultura exigente em tecnologias, em decorrência de seus solos pobres em nutrientes, mas altamente favoráveis à mecanização intensiva, por sua topografia plana e características físicas dos solos.

O uso intensivo do solo, na ausência de tecnologias de manejo sustentável, provoca sérios impactos negativos, tanto na capacidade produtiva dos solos, com a perda de nutrientes pelo processo erosivo, quanto nos recursos hídricos pelo assoreamento e eutrofização dos cursos d’água e represas, contaminação da água por agrotóxicos, afetando, conseqüentemente, toda a flora e fauna aquática, como se observa em condições de manejo inadequado em áreas de solos arenosos no Oeste da Bahia. Nesta região, com apenas 25 anos de exploração agrícola, registram-se o desaparecimento de inúmeros mananciais importantes, em decorrência dos assoreamentos e da própria falta de recarga do aqüífero subterrâneo.

A área desmatada no Oeste da Bahia, até o começo de 2006, já alcançava 2.065.659 hectares, valor que representa aproximadamente 22% da região do Cerrado do Oeste baiano. Não existe uma política de conservação que dê sustentabilidade a políticas de desenvolvimento. Em outras palavras, o desenvolvimento econômico planejado para a região não está sendo acompanhado por uma política de conservação da biodiversidade.

Alguns dos principais ações antrópicas que contribuíram e vêm contribuindo para essa degradação:

  • Desmatamento de áreas para a agricultura e pecuária;
  • Desmatamento de áreas para a produção de carvão vegetal;
  • Desmatamento para a exploração de madeira e lenha;
  • Baixa utilização de técnicas de conservação de água e solo na agricultura e pastagens;
  • Erosão, sedimentos e poluição causados pela mineração;
  • Queda de barrancos resultantes da retirada da mata ciliar e de variações do nível da água no rio em conseqüência da operação dos reservatórios.

Desmatamento
A mata ciliar desempenha um papel extremamente relevante como um dos elos da relação água/solo/planta. Ela retém sedimentos e poluentes que são carreados para os cursos d’água; ajuda a reduzir os processos erosivos; e oferece abrigo para a fauna silvestre. Além disso, cria oportunidades de lazer e é responsável pela manutenção das belezas cênicas da região.

Como reflexo das principais atividades econômicas da Bacia, indica-se a necessidade de recuperação ambiental das áreas degradadas com vistas à mitigação dos impactos sobre os recursos hídricos, com destaque para: as atividades econômicas rurais (agricultura e a
pecuária), as atividades de mineração (particularmente concentradas na região do Alto São Francisco) e o processo de urbanização e industrialização da Bacia (provocam a remoção da vegetação nativa e aceleram o processo de erosão e assoreamento).
São precárias as condições atuais de navegabilidade do rio São Francisco, que sempre foi navegado sem maiores restrições entre Pirapora e Petrolina/Juazeiro (1.312 km), no médio curso, e entre Piranhas e a foz (208 km), no baixo curso. Hoje só apresenta navegação comercial no trecho compreendido entre os portos de Muquém do São Francisco (Ibotirama) e Petrolina/Juazeiro.

Mesmo neste trecho, a navegação vem sofrendo revezes por deficiência de calado. Isso ocorre tanto na entrada do lago de Sobradinho, onde um intenso assoreamento multiplica os bancos de areia e altera as rotas demarcadas pelo balizamento e sinalização, e no trecho imediatamente após a jusante da eclusa de Sobradinho, onde a instabilidade de operação da usina hidroelétrica altera freqüentemente as profundidades disponíveis.

A erosão causa aumento de sedimentos na calha dos rios, reduzindo a capacidade de escoamento.

Assoreamento
Dos indícios de degradação, salta aos olhos o assoreamento. Calculam-se 18 milhões de toneladas de arraste sólido carreados anualmente para a calha do rio, até o reservatório de Sobradinho. A erosão, que é fruto do desmatamento e do conseqüente desbarrancamento, gera uma carga elevada de sedimentos, que forma bancos de areia e “ilhas” (as chamadas “coroas” ou “croas”, no linguajar ribeirinho), constantemente se movendo e mudando de lugar, contribuindo para enchentes e dificultando a navegação.
A erosão das áreas ocupadas pela agricultura é causada pelo desprendimento e arraste das partículas do solo, pela ação da água e do vento que transportam as partículas em suspensão, adubos químicos, matéria orgânica e agrotóxicos, para a calha do rio e de seus afluentes, comprometendo, também, a qualidade e disponibilidade de água.

Esses processos de erosão ainda são mais preocupantes levando em consideração que grande parte da bacia do Rio São Francisco está inclusa nas áreas susceptíveis à desertificação, definidos pelo Ministério de Meio Ambiente. No submédio e Baixo São Francisco, já estão identificadas regiões gravemente ou muito gravemente afetadas com processos de desertificação.



Desertificação
Desertificação é a degradação da terra nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas resultante de vários fatores, principalmente das atividades humanas. Degradação da terra significa a perda ou redução da produtividade econômica ou biológica dos ecossistemas secos, causadas pela: erosão do solo, deterioração dos recursos hídricos e perda ou redução da vegetação natural.

Uma das regiões já identificadas como “Núcleos de desertificação”, que se apresentam muito degradadas, é a região do município Cabrobó, em Pernambuco. Núcleos de desertificação foram selecionados pelo MMA como áreas onde os efeitos do processo estão concentrados em pequena e delimitada parte do território, porém com danos de profunda gravidade.

Os rastros de destruição deixados pelo avanço da desertificação se estendem de Cabrobó para o município de Petrolândia, onde grandes quantidades de terras foram retiradas para construção de rodovias e da Barragem de Itaparica. "O problema é que nenhuma árvore foi replantada no local. Sem o reflorestamento, o solo ficou mais vulnerável ao processo de erosão e as crateras estão se expandindo em direção às terras usadas hoje para criação de animais", explica o biólogo e agroecólogo Maurício Aroucha, que há anos estuda a ocorrência do fenômeno na região.

Mais grave é constatar que o desaparecimento das camadas de solo fértil da ilha foi resultado direto da ação desastrosa do homem. Projetos de irrigação mal conduzidos levaram água em excesso para o terreno e alteraram drasticamente a composição química do solo. Com as altas temperaturas do Sertão e sem um sistema de drenagem adequado, a água evaporou rapidamente e ficaram apenas os sais concentrados na terra. Numa quantidade tão alta que praticamente nenhuma planta consegue sobreviver.