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:: Enquetes:: BuscaImpactos - Baixa VazãoBaixa VazãoEnviado por admin em qua, 19/08/2009 - 11:59.Diminuição da Vazão A partir da metade do século 20, uma série de barragens foi construída no rio São Francisco, encerrando-se o processo já na década de 90, com a represa de Xingó. Esta cascata de represas, associada ao forte aumento da demanda energética e à redução das chuvas a partir de 1995, levou a um colapso hídrico, que se refletiu não apenas no fornecimento de energia elétrica, mas, sobretudo, no regime de cheias periódicas do rio. As cheias garantiam o enchimento anual das mais de 200 lagoas periféricas ao rio, locais de desova de peixes e de plantio de arroz. Na verdade, toda a agricultura de várzea inundada foi encerrada após a década de 90, e a pesca lentamente declinou até praticamente só ser viável na foz do rio, e mesmo aí em um nível muito inferior ao praticado na década de 80. As barragens impedem a piracema de diversas espécies de peixes, com isso muitas espécies de peixes desapareceram no Submédio e Baixo São Francisco. Por outro lado, o regime oscilante de vazão provocado pela demanda energética diária nas barragens provoca uma acentuada erosão nas margens do rio, com quedas de barrancas e assoreamento contínuo. O atendimento à demanda energética também provoca, como aconteceu ao longo de 2007, um esvaziamento de todos os reservatórios das represas, levando a um colapso hídrico no início de janeiro de 2008, justamente quando o rio costumava ter um aumento importante de vazão, sinalizando aos peixes o momento da postura. Por fim, a deposição dos sedimentos nos vários reservatórios faz com que a água que chegue ao baixo São Francisco seja pobre e clara, o que dificulta ainda mais a manutenção de uma biota fluvial expressiva e gera uma profunda eutrofização. Toda a vida dependente do rio no Baixo São Francisco está comprometida. Além da má qualidade da água decantada nos reservatórios e carregada de toda a poluição acumulada, a CHESF (Cia. Hidrelétrica do São Francisco) controla a vazão do rio em função apenas da produção de energia, sem submeter-se à prática de uma vazão ecológica, que garanta as condições de vida no rio e contenha o avanço do mar. A medida de reduzir a vazão do baixo São Francisco para valores abaixo do patamar de 1.300 m³/s (limite mínimo de vazão ecológica), é essencialmente fruto de uma gestão dos reservatórios que prioriza apenas a geração de energia e que não prevê qualquer margem de segurança para o caso em que o clima não seguir a risca os modelos cridos pelo gestor, o Operador Nacional do Sistema. Leia mais na análise detalhada que a Canoa de Tolda fez desta questão. José do Patrocínio Tomaz, hidrogeólogo e eminente professor aposentado da Universidade de Campina Grande tratou, em um de seu trabalhos http://www.polemica.uerj.br/pol19/cquestoesc/contemp_1.htm, das vazões de base do rio São Francisco. Segundo ele, as reservas renováveis à jusante de Sobradinho, oriundas dos principais aquíferos de sua bacia, é da ordem de 1.324,5 m³/s. O aquífero Urucuia (o mais importante da bacia do São Francisco), sozinho, é responsável por 51% desse total, ou seja, 676,5 m³/s. Caso não se tomem medidas eficazes capazes de inibir a exploração indiscriminada da água do rio, no futuro próximo, corre-se o risco de uma redução significativa da vazão de regularização de Sobradinho, com reflexos nefastos na geração de energia e no atendimento de outras demandas, inclusive no projeto de transposição. A expansão da irrigação também levou a fortes impactos sobre os recursos hídricos e disputas entre usuários nos afluentes do Paracatu, na sub-bacia do Alto Preto. A mineração de ouro em Paracatu é outro fator de forte pressão sobre a qualidade de água, principalmente no que se refere ao transporte de sedimentos e assoreamento. |
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Articulação Popular pela Revitalização da Bacia do São Francisco Rua Gal Labatut, 78, Bairro Barris, CEP 40070-100 - Salvador - Bahia - Brasil Tel.: (71) 3329-5750 - sfvivo@gmail.com
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