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Campanhas - Revitalização SimRevitalização sim!Enviado por admin em qua, 19/08/2009 - 11:27.“O Rio São Francisco está na UTI”. Inúmeros fatores contribuem para a degradação do rio (vide link “Impactos”). As principais causas de degradação do Rio São Francisco são estreitamente ligadas a problemas estruturais do uso do solo, das águas e dos demais recursos naturais da bacia. O programa do governo calculadamente se desvia destas causas ligadas à produção agrícola de exportação e à mineração. O Rio São Francisco precisa de um programa abrangente de revitalização, que ataque de forma sistemática as principais causas de degradação do rio. Mas à imperiosa necessidade e cobrança social de revitalização da bacia do São Francisco, o governo federal responde com um Programa de Revitalização de “faz-de-conta”, atrelado à prioridade por ele dada à transposição. A partir de 2003 o governo federal reagiu aos protestos e cobranças com um programa de revitalização, que ganhou visibilidade política desde o avanço do projeto da transposição e da reação popular contrária. Está clara a estratégia política de instrumentalizar a proposta de revitalização para viabilizar politicamente a polêmica transposição, o que precisa ser desmantelada. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos para revitalização da bacia do São Francisco orçados para R$ 1,3 bilhão para os próximos quatro anos. Isso ainda significa uma parcela pequena se comparado com as 6,6 bilhões previstos no PAC para a obra da transposição. Porém, trata-se de um programa de uma significância vultosa em termos de recursos a serem investidos e ainda mais em termos de estratégia política do governo. Para 2009 o PAC já tem orçado R$ 391,3 milhões para ações de revitalização. O tamanho do programa já justifica a importância de mecanismos de controle social (link para “De Olho no Programa de Revitalização”). A efetividade de um programa não depende do montante de dinheiro garantido em rubricas de orçamento, mas das reais implementações e da capacidade de execução. Nós estamos convencidos que... A necessidade de controle social para o programa de revitalização fica ainda mais evidente e urgente levando em conta que o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica está em andamento desde novembro de 2003 e ainda não mostrou resultados palpáveis. O governo tem apresentado como programa de revitalização um agrupamento de projetos que, em muitos casos, já existiam anteriormente e foram “requentados” com sendo obras de revitalização. No período de 2004 a 2006, foram investidos em ações de revitalização do São Francisco R$ 192 milhões, mas com pouco resultado. Ainda mais preocupante é o fato de que o programa é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério da Integração Nacional, e executado por meio da Companhia de Desenvolvimento do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF). A CODEVASF, ao longo das últimas décadas, se destacou como um dos principais promotores de um modelo de uso do solo degradante que contribuiu muito para a degradação do São Francisco. Há uma profusão de instâncias de participação (COLMÉIAS, NAPs, etc.) que não se configuram em efetiva intervenção democrática e soberana da população. Os espaços de “participação,” que foram criadas para execução do programa de revitalização não passaram de estratégias de barganha e apaziguamento para viabilizar a conflituosa obra da transposição. A confusão conceitual já fica evidente no fato que, no montante dos investimentos previstos no PAC para revitalização, incluem-se, também, melhorias da navegação. Além disso, conforme as publicações do programa, as ações de revitalização “consistem em obras de saneamento básico e ambiental, como as de coleta e tratamento de esgoto sanitário, de macrodrenagem, de tratamento de resíduos sólidos, de contenção de desmoronamento de barrancas e de controle de processos erosivos, além daquelas destinadas à melhoria da navegabilidade e da recuperação de matas ciliares”. Fica claro que o conceito de revitalização aplicado para os investimentos do governo, numa perspectiva ecológica, podem ser caracterizados de limitados e superficiais, pois restringem-se basicamente a medidas de saneamento. As entidades da Articulação Popular têm levantado os seguintes questionamentos em relação às obras de saneamento, obras de desassoreamento e ações de reflorestamento: O mais iminente destes grandes projetos a serem barrados é a obra de transposição, que contradiz a todas as necessidades de revitalização do rio. O modelo de desenvolvimento que está por trás do projeto de transposição inviabilizava a implementação de outras lógicas de desenvolvimento, na medida em que reforçava relações de poder em torno do uso da água, já consolidadas no Nordeste.
O sucesso do programa de revitalização do Rio São Francisco está igualmente na dependência de uma reformulação nas instituições governamentais que interferem na política do rio. O comitê da bacia hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) deveria ser fortalecido como ator privilegiado para o planejamento e a execução de obras de revitalização, de modo que cumpra seu papel de “Conselho Permanente de Desenvolvimento da Bacia” e “Parlamento do Uso das Águas do Rio São Francisco”. Uma participação paritária efetiva do poder público e das organizações da sociedade civil, que seja responsável pelo controle social das políticas e recursos públicos para a região, ainda depende de um amplo processo de formação e capacitação dos representantes da sociedade civil. |
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Articulação Popular pela Revitalização da Bacia do São Francisco Rua Gal Labatut, 78, Bairro Barris, CEP 40070-100 - Salvador - Bahia - Brasil Tel.: (71) 3329-5750 - sfvivo@gmail.com
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